quinta-feira, 9 de abril de 2009

O programa.
















Tudo seria mais fácil, se não tivessemos vontades e desejos. Se fossemos feitos por linhas de comandos, comandos que não fossem criados por nós, porque se fossem nossos, seriam os desejos,as vontades. Acho que seria mais fácil, porque dessa forma, aceitariamos com uma certa facilidade,o que chamam de destino. Porque se existe uma história formada para cada ser, seria melhor que não possuissemos vontades contrárias aos fatos que fossem presenciados no momento atual. Porque, vontade mesmo, é fazer o que se quer fazer, independente das condições, se são favoráveis ou não.
Nasce um ser humano, que de humano só tem a aparência, pois sua vida não passa de um simples programa, tão igual à um arquivo de computador. E esse humano luta, reluta, e tenta cada vez mais, construir alguma coisa. Mas a única coisa que ele tem, são suas linhas de comando, das quais, é mero servo.
Seu sistema é simples, constituído pelo espaço aonde se encontram as linhas de comando; por outro diretório, no qual se encontram todos os desejos e sonhos, que não passam de desejos e sonhos; e por uma lata velha, aonde se despeja os desejos e sonhos, que depois de um tempo crescem e admitem sua forma madura: a ilusão. Importante mencionar, que os sentimentos estão inclusos ou anexados, aos desejos.
Esse ser, passa a vida tentando encontrar alguma coisa diferente das linhas de comando, que ele nem sabe que possui. Talvez por isso, sempre acabe seguindo em frente, na busca daquilo que pra ele, definitivamente, não existe. Ou então, poderíamos saber que somos marionetes de linhas de comando, assim viveriamos em paz, nos deixando guiar por nossas linhas.
Os sentimentos seriam arquivos corrompidos, alguma espécie de malware ou worm, ou cavalo de tróia, que se anexaria aos nossos desejos, como mencionado acima. E uma vez em nós, não haveria como retirar eles dali, só formatando nossas linhas de comando, ou seja, só nascendo de novo. E os sentimentos se espalhariam por todo o sistema, invalidando todas as linhas de comando, e revigorando os desejos e sonhos, que a cada dia, cresceriam mais, e mais, para no final, ser uma gigantesca, brutal e destruidora ilusão, que acabaria por ter seu lugar preparado na lata velha receptora de ilusões e sentimentos nocivos a saúde, no caso, nocivo às linhas de comando.
Seria mais ou menos assim: o ser conhece uma pessoa, que através do seu olhar, injeta o vírus nas suas linhas de comando, e se copiando em cada linha de comando, portanto, tornando-se mais de si mesmo, crescendo, ele toma conta das linhas de comando, e deixa o espaço para que o diretório dos sonhos e desejos se torne o principal. Após infectar todas as linhas de comando, ele consegue acessar o disco local, que não mencionei anteriormente, pelo fato de nem todos o possuirem, pois trata-se de um coração. E uma vez lá, uma vez de passagem pelo coração, ele deixa de ser um arquivo temporário, e torna-se componente necessário para o correto desempenho do ser que foi invadido. O que houve, foi uma total e completa substituição de linhas de comando, pois nota-se que agora, as únicas existentes, são os sonhos e desejos. Que aumentam de tamanho e importância, e se ramificam, originando diretórios e arquivos que contêm características do principal(desejos e sonhos) e acabam por montar um novo sistema, um ser programado por linhas de comando de um sistema forasteiro(amor).
O tempo passa, os sonhos se multiplicam, os desejos inflamam. E de repente, numa mudança brusca de padrão, o vírus - agora seu atual sistema - é deletado, é evaporado. Mas ele vai só, se vai sem levar suas criações, suas cópias, vai apenas ele. E o ser fica estático, com seus sonhos, desejos e vontades, estourando dentro do peito. O que fazer? Suas antigas(originais) linhas de comando, foram substituídas, e agora, o sistema do ser é baseado nos seus sentimentos, que antes existiam apenas para confrontar os antigos originais, para dessa forma haver razão para a existência. Existem algumas alternativas: formatar-se; despejar as linhas de comando na lata de lixo juntamente com o coração;ou fingir que está tudo corrreto.Todos os intens são opções. E dessa forma, ficar vazio, apenas se alimentando para depois gastar as energias no esforço de apagar aqueles sonhos, aqueles desejos, que já nem cabem na lata, de tão grandes. Mas com o tempo, acredita o ser, essa ilusão se desfará, pois seu próprio nome diz, é uma ilusão. Por mais que afete, por mais que machuque. Mas e agora? O que fazer agora,enquanto o ser tenta imaginar o que fazer com essas novas linhas de comando, com essa nova vida. Não se desfaz uma estrutura dessas da noite para o dia, e ainda, sem ter outra estrutura. Só há uma saída. Esperar outro vírus. Quem sabe ele resolve ficar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O resquício.




















De tal altura
ao atingir o chão
se teve espatifado
com os cacos em vão
criados pelo inesperado

O que se anda em frente
é o que torna sã, a mente
o que fica estilhaçado
não é mais meu,
é do passado.

Os fragmentos,
desfragmentados, e de mim, descolados
indicam que passei por ali,
indicam que vivi ali.

Faltando partes, do meu espírito
capengo em frente,
e ponho uma rocha,
em cada parte ausente,
de minh'alma,
que, como as rochas
torna-se fria, assim,
de repente.

Os olhos trabalham
vendo as imagens
que com força evoco
que com força,
deixo em foco
tentativa de tornar presente
o que já se foi
isso é a ausência,
me dizendo "oi".

Sua imagem se concentra
toda em mim, por inteira
tenho teus olhos
tenho tua mão, tua pele e corpo
te carrego por dentro, infinitamente
com medo de usar certas palavras,
que um dia usei, inevitavelmente.

O "sempre" que pensava
não se formava agora
ele existe estático
milênios daqui
esperando pra sempre, a promessa de alguém
que não soube aonde ir.

domingo, 29 de março de 2009

A construção.














Sem afeto
deu a parede, fez-se o teto
algo amou algo.
Sem razão
deu o pé ao chão, e a sua mão à mão
e a dor do medo cria o tempo
que brilha longe, o Sol
do qual eu me esquento.
Agora sem tempo
fortaleceu a parede, esticou o teto
Com emoção
deu o pé ao vento, com a mão na mão
e a certeza do que sou, cria o que penso
que sinto perto teu calor
do qual me sustento.

quarta-feira, 18 de março de 2009

De dentro pra fora.
















Uns tem muito
não sei se poucos
ou se muitos
mas sem dúvida
muitos também tem pouco

Cria-se do nada
só achamos que tem
e sem pensar muito
chamamos de mundo,
um certo alguém

Talvez em algum lugar
chamem de relativo
e assim destroem hoje
o que no coração, está ativo

Não se quantifica
não se faz força
nem se quer explica
que o que dura, definitivamente
tem que estar no coração,na mente
no carinho da mão,
no sorriso do dente

Desse, não se dá o que se tem
atribui-se aos demais
assim definimos alguém
pode se ter mais, muito mais
ou ser nada, para ninguém

Só então,
quando se vai do nosso redor
existido apenas dentro de nós(apenas)
atado com nó
amarrado pra sempre
até ser pó, cegando os olhos
os olhos da gente

Não deixe ir
o que hoje,
te separa os lábios
fazendo sorrir
mande ficar
pois meus lábios também sorriem
por poder te beijar

Ficar parado?
Aqui, do lado...
Pois todo enredo que se faz
só se mudam as letras
Já tentei me distrair
varri o quintal, arrumei as gavetas,
e sem ter aonde ir
fico parado, bem aqui,
do seu lado

Talvez o erro
seja a permanência
e o acerto, por sua vez,
a ausência. (Tolos acreditam nisso)
Meu erro é ter,
e esquecer que sou
Outro erro é ser
e esquecer de me lembrar
o que esqueço de ver
o que esqueço de me avisar.

Assim é o valor,
damos sem saber que temos
o dos outros lembramos
o de nós esquecemos.
Sofre a espera,
quem de valor é farto
e todo dia é véspera
pra quem tem vazio, o quarto.

E cada dia comum
toda tarde só
só cresce,
cresce esse nó
me prende sem me aprisionar
deixando-me livre, por sempre te amar
pois sentença real
é não poder lhe olhar
é ter meu lado vazio
como hoje está.

E quando estiver exausta
ao se deitar na cama
ou sentar na grama
acredite que ao invés de perder
ou no chão abandonar
para o valor conhecer, depois das mãos desatar
como essas rimas simples
fáceis de se entender
acompanham os olhos
de quem tenta ler
Veja que os mesmos olhos
também acompanham
verso curto,
outro breve, vivendo no Sol
esperando que neve.

O que fazer?
Fico aqui, parado
fingindo não te ter
só pra ser procurado.

terça-feira, 10 de março de 2009

Qualquer casa, meu café.
















Era um rio
tiraram-lhe as margens
agora, o rio é o mundo

Era uma janela
levaram a paisagem
agora,
só é janela
de dentro pra fora

Era, certo dia,
uma pedra
levaram-lhe tudo a volta
agora pedra,
é nome, revolta

Um dia
levantaram as mãos
e nada caiu do céu
"pedra na janela"
agora pedra de fora pra dentro
e janela,
só pensamento

Dia desses
pegaram uma maçã
e roubaram-lhe o ventre
na terra, atiraram suas sementes
da terra, sairam seus parentes
roubaram caju, manga e goiaba
da terra saiu caule, flor e beterraba

Ontem mesmo,
montaram uma porta
e a partir dela,
uma casa.
Só é porta pra saída
pois quem entra pela mesma
adentra a casa, que em volta da porta
foi construída

Hoje,
é dia de volta
volta o dia, volta a tarde
e acima das minhas pernas
mora minha cabeça
que embora ali esqueça,
vaga a esmo
e entra pela janela sem paisagem
da casa que levantaram ontem mesmo

Amanhã,
vão tomar o café
com gosto de saudade
a cada gole quente - uma lembrança sem idade
e assim se entende
que a saudade é um futuro
que mora no passado,
da mão dada, do café tomado.

Com força carreguei
o ontem pesado ao hoje,
quando acordei,
abri a janela, e a porta
escrevi a palavra "casa" na pedra
e a pedra, de casa chamei
lhe dei porta e janela
e uma paisagem plantei.

E amanhã,
vão sentir falta,
vão omitir, vão inventar,
mas saudade não é o tipo de nome
que se pode mudar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A soma das divisões.




















Quanto chão que separa
quanto ar que se respira
quanta noite se dorme, só os olhos
pois dentro, é dia

Quantos lábios se separaram
no sorrir da ironia
e quantos se calam
na certeza mais fria

O copo, que de leve, queda
da pia escorregadia
se faz aos pedaços
nos ladrilhos, reluzentes ao dia
e de repente
o copo é lembrança, o copo é nada
não há copo, assim, de repente
reluzente ao dia

Mil anos de Sol, mil de Lua
se quebram no girar do mundo
e espatifam-se em horas e minutos
e cada dia é parte do "para sempre"
que um dia existiu junto
mas que se propaga e situa
na vontade de sarar
sarar essa dor, essa dor da noite
reluzente ao dia

O amor, que de repente, cresce
dentro de quem o tem
se faz maior, e coloca-se, de dentro para fora
transbordando-se, aparece por volta
e não mais dentro, queda
de quem o tem
e nos dias reluzentes, ou nas noites do "para sempre"
se faz aos pedaços, no chão de barro
e diferente das cerâmicas
que se anulam ao quedar
tem-se mais amor, ao dividir
o de quem o tem

A falta, que de repente, cresce
dentro de quem a tem
se faz maior, e poe-se, de dentro para fora
aparecendo ao redor
e ainda dentro, atira-se para fora
se multiplicando no chão, no ar que se respira
no dia que se vive, no lábio que separa, e no que cala
e preenche sem dó, quem deixou no chão de barro, e espatifado
aquele amor
que se propaga e se situa
na vontade de sarar, sarar essa dor
que já é o mundo, e girando
espatifa-se em horas
e sem fim, e "para sempre"
quanto mais se quebra
mais falta se sente

Então, separam-se os lábios, com ironia
e no sorriso - ainda que falso - reluzente ao dia
assimila-se o indesejável
mas triturar-se, é característico da falta
e como um mundo rodopiante
quebra-se por dentro "para sempre"
reluzente ao dia
assim, de repente
não há o nada, porque esse
a falta preenche
e se quebra cada vez mais
multiplicando-se e crescendo
dentro do ser, que já a tem por dentro.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A chave do mundo.
















No princípio, o que lá havia, não possuia nome, cor, identidade, ou qualquer tipo de designação. Nem se sabia que era o princípio, só podemos dizer isso agora. A maneira pela qual o universo se formou, é diferente das já conhecidas, como por exemplo a mega explosão ocorrida há bilhões, trilhões, sei la quantos "ões" de anos, séculos ou até milênios atrás.
Em algum lugar, que não aqui, ou perto daqui, e em algum tempo que não próximo ou igual à esse, haviam seres altamente semelhante à nós, a aparência, os defeitos, as vontades e as qualidades. Entretanto, eram superiores, pois estavam evoluídos de alguma forma que não era vista diretamente pelos olhos, mas que vinha de dentro deles, um ar de tranquilidade e soberania, uma postura real e deslumbrante, que acabava por transbordar os limites do corpo, e tornar-se visível aos olhos, de forma a impressionar quem os visse.
Árvores enormes, grandes e vastos campos, vales profundos, encostas, animais exóticos, metade boi, metade coelho, aves misturadas com mamíferos, répteis com marsupiais, e muitos outros. Montanhas localizadas a vários e vários quilômetros de distância do centro desse verde, funcionavam como paredes, como portões gigantescos, impedindo a entrada de quem não fosse querido. Haviam os povos, e eram divididos em reinos, de maneira que dado povo de dado reino, possuia poderes respectivos de seu reino. O povo do céu, morava nas montanhas flutuantes, que pairavam no ar, sem tocar qualquer parte sua no chão, esses cuidavam para que o vento sempre soprasse por ali. Tinha o povo das águas, do reino das águas, os quais tinham domínio sobre o mar, rios, lagoas, e até copos com água. O povo da terra, que cuidava de sua fertilidade, e outros fatores. O povo do fogo, era responsável pelo conforto do seu e dos demais reinos, pois quando vinha o inverno(proporcionado pelo povo do céu para manter o equilíbrio) só o fogo tinha o poder de lhes proporcionar noites mais confortáveis.
E acima de todos e de tudo e já mencionados anteriormente, havia o conselho supremo, que governava aquele mundo, gerenciando e comandando os demais povos e seus respectivos reinos. O conselho supremo era formado por uma família de um pai, uma mãe e dois filhos homens. O pai, que se chamava Jhiklina, era fruto da canção das águas, e do cair da noite, que quando tocava o dia ainda fervendo na grama dos vales, fazia um estrondo, como trovões no céu. A mãe, Hidrinyel, era fruto do desejo de seu marido, com a luminescência esperançosa da Lua, que sempre brilhava no céu. E por fim, seus dois filhos, Lhandarth e Daliambert eram frutos do desejo de seus pais, que em um dia sem noite alguma, imploraram aos acasos, que se lhe dessem a noite, teriam dois filhos, e um deles, faria algo de grandioso.
Dessa forma, o acaso das areias, responsável pela mudança constante das coisas materias, disse a Jhiklina e Hidrinyel que só teriam os filhos, se unificassem os povos, em um só. E que de alguma forma, todos pudessem viver em um lugar melhor. Jhiklina exclamou que isso não poderia ser feito assim, com essa urgência, pois não havia lugar algum, além daquele, onde todos os reinos viviam. Então, Jhiklina teve que desenterrar das areias dos vales, a semente da última árvore nascida nos últimos dias. E essa semente daria a quem a comesse, a imortalidade, e a imaginação sem limites, proporcionada pelo conhecimento supremo.
Jhiklina achou a semente, depois de um grande tempo procurando, e levou-a para casa. Lá, ele a enterrou em um vaso sem plantas. Algum tempo depois, Hidrinyel deu a notícia de que estava grávida. E assim, nasceram os irmãos Lhandarth e Daliambert.
Lhandarth era ambicioso e egoísta, essas eram as características que se destacavam nele. Enquanto Daliambert era tranquilo e bondoso, muito pacífico. Ambos sabiam da existência da tal semente, mas enquanto Daliambert vivia sua vida normalmente, Lhandarth almejava dia após dia a semente. Os anos se passaram, e Jhiklina estava ficando velho, juntamente com sua esposa. E nada da unificação dos povos, nada de grandioso feito por nenhum de seus filhos.
Certo dia, já quase falecendo, Jhiklina convocou seus filhos para uma conversa, e decidiu que deveriam criar - através de seus sentimentos - um lugar, no qual todos poderiam existir em paz e tranquilidade, vivendo como um único povo. Era algo que devesse ser feito espontâneamente, sem muitos planos e cogitações. Assim, Lhandarth, com sua inveja, egoísmo e ambição, disse que só faria isso, se lhe fosse dada a semente, como retribuição. Enquanto Daliambert, nada pediu em troca. Daliambert sentou-se em sua almofada, e fugiu do seu mundo, levando sua mente aos mais distantes horizontes, e lá, ele detonou suas imaginações, tornando todas elas, realidade. Daliambert brilhou para sempre, e se desfez nos ares, atraindo tudo aquilo que se refletia nele, e depois expulsando violentamente, tudo de volta, junto consigo mesmo. E após alguns segundos, apareceu novamente, mais radiante que o dia, maior por dentro que por fora. Daliambert criara a ilusão. A ilusão de que tinha feito algo para si mesmo, enquanto a sua volta, era possível notar, que as montanhas que cercavam o lugar, estavam dispostas de maneira diferente, de forma que proporcionassem uma saída daquele lugar. E assim, e depois disso, pronunciou: - Só a ausência de portas pode unificar dois lugares. Enquanto houver uma porta entre a sala e um quarto, ambos sempre serão sala e quarto. Enquanto não se tem porta alguma, só os distingue o que cada um tem por dentro. Como por exemplo, a cama que fica no quarto e o sofá, na sala. Para unificar os povos, eu lhes mostrei que não há porta. Agora que sigam em frente, e se distinguam só pelo que tem por dentro.
Landarth, com inveja do feito de seu irmão, sentou-se em sua cadeira de ferro, e almejou a destruição desse feito. E assim foi concluído seu desejo. Lhandarth não só recolocou as montanhas no lugar, como depois as esmagou, com tudo e todos, sacrificando todos os povos e a si mesmo, junto com seus familiares. Lhandarth criara desse egoísmo e sacrifício, o universo. Do caos proveniente da destruição, vieram as estrelas, as galáxias, tudo o que brilha e o que não brilha, nesse universo. E dessa forma, nenhum deles obteve a semente do conhecimento e imortalidade.
E o acaso das areias continua a destruir aquilo que o tempo não leva consigo, e tudo o que construímos por fora de nossas almas, é levado por ele, para além daqui. Devemos então, ter como objetivo, não a mudança proporcionada pela ambição, como o acúmulo de riquezas, ou até mesmo conhecimento. Não dessa forma. Devemos ter como objetivo, a mudança interna, para que essas sejam jogadas no espaço em que vivemos, e isso, sem dúvida alguma, não há acaso que leve embora. Então, nasceu em Daliambert esse sentimento de evolução interna, amor aos demais e pacificação, e morreu nele mesmo, esses sentimentos. Pois é raro quem siga isso. Até hoje morrem pessoas que procuravam algo sem saber o que era. Muitos buscam desesperadamente o bem em outras coisas, em outras pessoas, mas esquecem de abrir as portas da alma, da mente e do coração. Porque da mesma forma que os comodos de uma casa, sempre serão apenas eles, enquanto estiverem limitados das demais coisas que os cercam, devemos viver no mundo, como se fossemos ele, e o mundo deve viver dentro de nós.
Assim criou-se o universo. Assim criou-se a essência. E até hoje, todos procuram pela semente que se perdeu. Mas esquecem de abrir as portas, para que ela possa entrar.