domingo, 7 de junho de 2009

Meu caminho.
















Nos meus olhos - meu mundo
em minhas mãos, um relógio
nos ponteiros, uma chance
nas chances, mais erros

No meu peito - bem fundo
um som, quase mudo
na minha boca, sem voz
um pacto, um laço - milhões de nós

Na minha cama
meu sono, minha alma, meus lençóis
na lama
a chuva, a terra, e alguns de nós

Dentro da cabeça
o volante, o timão, a supervisão
e o ar que entra
inunda meus pulmões
saio na rua, cato laranjas, goiabas e maçãs

Na importância - a verdade
sigo em frente, sem trazer o passado
sigo em fente, olhando meu lado
no tempo, a ausência da idade
tropeço nos problemas, ficando cansado
na estrada, um caminho
no caminho, um coração
no coração, um infinito sem explicação

Os meses passam
com as horas correndo pelos dias
e toda noite
os sonhos, são armadilhas

Mas sigo sempre
meu lado, meu caminho
meu coração
minha mente.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A mudança.




















Mudança é o que impera. Só há mudanças. Determinado processo iniciado hoje, de certa forma, nunca terminará, pois tudo o que se seguir após seu início ainda será o processo, desde que tenha relações com a época em que foi iniciado. Ou seja, todo e qualquer processo estará sempre sujeito a mudanças. Dessa forma, é possível dizer que não existem fins, mas sim e sempre, novos começos, os quais se sobrepoem uns sobre os outros, anulando assim, de certa forma, o que havia começado ontem.
Visto que a vida segue, da mesma forma acontece com tudo o que existe, ou seja, as coisas seguem. É fácil notar esse fato analisando a lagarta, que lenta e curiosa, com suas cores vivas, jamais deixa de ser lagarta pois em um momento caminha, no outro ela descansa dentro do
casulo, e após adquirir vontades indomáveis, a lagarta sai voando, mais colorida e deslumbrante. Não notei nesses processos o fim de nada, notei apenas começos sobrepostos. Notei o começo da lagarta, o começo da pupa, o começo da borboleta, e depois, o começo de um mundo sem a borboleta.
Assim, o êxito é na verdade, não a conquista de algo específico, mas sim, o êxito trata-se da perseverança, a vontade de ser sempre mais do que se é no momento atual. Dessa forma, o
êxito é a condição de estar sempre em mudança, de acordo com as situações impostas. Por isso,
não se deve ser forte, pois a força sempre será relativa, existirão coisas mais fortes.
Deve-se sim, ser flexível, pois dobraremos de acordo com as mudanças, e após, retornaremos ao
equilíbrio, estando mais fortes, mais resistentes, mais calejados.
Jamais teremos tudo, pois ao buscar o que não temos, podemos perder o que temos. Assistimos
a isso quando vemos os aviões decolarem, conquistando o céu, e perdendo o chão. Sempre seremos pobres, pois por mais que tenhamos, sempre estaremos sujeitos a perder. Os capitalistas ricos, tem o dinheiro como riqueza, os colecionadores tem como riqueza, suas coleções, cada um tem algo de importante, sendo que uns visam mais determinadas coisas, mas cada riqueza existe em porções diferentes, em diferentes seres, que sofreram diferentes mudanças, ao terem diferentes êxitos. A verdadeira riqueza, então, consiste não no que temos, nem no que queremos ter, mas sim, no valor que damos aos objetos, pessoas, coleções, dinheiro, palavras, que temos e que não temos. Sempre seremos pobres de alguma coisa, pois um capitalista pode não ter amor, um materialista pode não ter amigos, os colecionadores podem não ter outra coisa, se não, suas coleções. Visar sempre não só o que nos faz rico, mas também o que nos torna pobres, é a humildade. É saber o que foi, o que é, o que pode ser, e o que sempre será importante, sempre vendo no que somos ricos, e no que somos pobres.
O tempo sempre morre e nasce, instantâneamente. E dessa forma, se estende infinitamente, sofrendo a mudança cruel de nunca ser o mesmo que era. Na verdade, nem sei se o tempo pode ser algo, acho que o tempo é a flexibilidade onipotente e onipresente, que faz, ou melhor, que nos
força, a ser tão flexível quanto ele. O tempo não tem coração, pois este, é o sinal fixo de inflexibilidade. Quem tem coração, carrega para sempre os tempos que já morreram.
Então, no processo de sempre seguir em frente, de sempre mudar ou ser forçado a mudar, de sempre ter que esquecer coisas, nesse processo buscamos o êxito no equilíbrio entre saber esquecer o que deve ser esquecido, e levar por dentro, o que deve sempre ser vivido, recordado. Ao ir sempre em frente, substituimos nosso coração por pedaços de pedra, e assim temos um equilíbrio entre o valor que possuímos, e o valor que atribuimos. Cada pedra, é o valor que não recebemos. E o que restar do coração, são os que amamos e que, reciprocamente, nos amaram. Levando nossos corações, e deixando os deles.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O programa.
















Tudo seria mais fácil, se não tivessemos vontades e desejos. Se fossemos feitos por linhas de comandos, comandos que não fossem criados por nós, porque se fossem nossos, seriam os desejos,as vontades. Acho que seria mais fácil, porque dessa forma, aceitariamos com uma certa facilidade,o que chamam de destino. Porque se existe uma história formada para cada ser, seria melhor que não possuissemos vontades contrárias aos fatos que fossem presenciados no momento atual. Porque, vontade mesmo, é fazer o que se quer fazer, independente das condições, se são favoráveis ou não.
Nasce um ser humano, que de humano só tem a aparência, pois sua vida não passa de um simples programa, tão igual à um arquivo de computador. E esse humano luta, reluta, e tenta cada vez mais, construir alguma coisa. Mas a única coisa que ele tem, são suas linhas de comando, das quais, é mero servo.
Seu sistema é simples, constituído pelo espaço aonde se encontram as linhas de comando; por outro diretório, no qual se encontram todos os desejos e sonhos, que não passam de desejos e sonhos; e por uma lata velha, aonde se despeja os desejos e sonhos, que depois de um tempo crescem e admitem sua forma madura: a ilusão. Importante mencionar, que os sentimentos estão inclusos ou anexados, aos desejos.
Esse ser, passa a vida tentando encontrar alguma coisa diferente das linhas de comando, que ele nem sabe que possui. Talvez por isso, sempre acabe seguindo em frente, na busca daquilo que pra ele, definitivamente, não existe. Ou então, poderíamos saber que somos marionetes de linhas de comando, assim viveriamos em paz, nos deixando guiar por nossas linhas.
Os sentimentos seriam arquivos corrompidos, alguma espécie de malware ou worm, ou cavalo de tróia, que se anexaria aos nossos desejos, como mencionado acima. E uma vez em nós, não haveria como retirar eles dali, só formatando nossas linhas de comando, ou seja, só nascendo de novo. E os sentimentos se espalhariam por todo o sistema, invalidando todas as linhas de comando, e revigorando os desejos e sonhos, que a cada dia, cresceriam mais, e mais, para no final, ser uma gigantesca, brutal e destruidora ilusão, que acabaria por ter seu lugar preparado na lata velha receptora de ilusões e sentimentos nocivos a saúde, no caso, nocivo às linhas de comando.
Seria mais ou menos assim: o ser conhece uma pessoa, que através do seu olhar, injeta o vírus nas suas linhas de comando, e se copiando em cada linha de comando, portanto, tornando-se mais de si mesmo, crescendo, ele toma conta das linhas de comando, e deixa o espaço para que o diretório dos sonhos e desejos se torne o principal. Após infectar todas as linhas de comando, ele consegue acessar o disco local, que não mencionei anteriormente, pelo fato de nem todos o possuirem, pois trata-se de um coração. E uma vez lá, uma vez de passagem pelo coração, ele deixa de ser um arquivo temporário, e torna-se componente necessário para o correto desempenho do ser que foi invadido. O que houve, foi uma total e completa substituição de linhas de comando, pois nota-se que agora, as únicas existentes, são os sonhos e desejos. Que aumentam de tamanho e importância, e se ramificam, originando diretórios e arquivos que contêm características do principal(desejos e sonhos) e acabam por montar um novo sistema, um ser programado por linhas de comando de um sistema forasteiro(amor).
O tempo passa, os sonhos se multiplicam, os desejos inflamam. E de repente, numa mudança brusca de padrão, o vírus - agora seu atual sistema - é deletado, é evaporado. Mas ele vai só, se vai sem levar suas criações, suas cópias, vai apenas ele. E o ser fica estático, com seus sonhos, desejos e vontades, estourando dentro do peito. O que fazer? Suas antigas(originais) linhas de comando, foram substituídas, e agora, o sistema do ser é baseado nos seus sentimentos, que antes existiam apenas para confrontar os antigos originais, para dessa forma haver razão para a existência. Existem algumas alternativas: formatar-se; despejar as linhas de comando na lata de lixo juntamente com o coração;ou fingir que está tudo corrreto.Todos os intens são opções. E dessa forma, ficar vazio, apenas se alimentando para depois gastar as energias no esforço de apagar aqueles sonhos, aqueles desejos, que já nem cabem na lata, de tão grandes. Mas com o tempo, acredita o ser, essa ilusão se desfará, pois seu próprio nome diz, é uma ilusão. Por mais que afete, por mais que machuque. Mas e agora? O que fazer agora,enquanto o ser tenta imaginar o que fazer com essas novas linhas de comando, com essa nova vida. Não se desfaz uma estrutura dessas da noite para o dia, e ainda, sem ter outra estrutura. Só há uma saída. Esperar outro vírus. Quem sabe ele resolve ficar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O resquício.




















De tal altura
ao atingir o chão
se teve espatifado
com os cacos em vão
criados pelo inesperado

O que se anda em frente
é o que torna sã, a mente
o que fica estilhaçado
não é mais meu,
é do passado.

Os fragmentos,
desfragmentados, e de mim, descolados
indicam que passei por ali,
indicam que vivi ali.

Faltando partes, do meu espírito
capengo em frente,
e ponho uma rocha,
em cada parte ausente,
de minh'alma,
que, como as rochas
torna-se fria, assim,
de repente.

Os olhos trabalham
vendo as imagens
que com força evoco
que com força,
deixo em foco
tentativa de tornar presente
o que já se foi
isso é a ausência,
me dizendo "oi".

Sua imagem se concentra
toda em mim, por inteira
tenho teus olhos
tenho tua mão, tua pele e corpo
te carrego por dentro, infinitamente
com medo de usar certas palavras,
que um dia usei, inevitavelmente.

O "sempre" que pensava
não se formava agora
ele existe estático
milênios daqui
esperando pra sempre, a promessa de alguém
que não soube aonde ir.

domingo, 29 de março de 2009

A construção.














Sem afeto
deu a parede, fez-se o teto
algo amou algo.
Sem razão
deu o pé ao chão, e a sua mão à mão
e a dor do medo cria o tempo
que brilha longe, o Sol
do qual eu me esquento.
Agora sem tempo
fortaleceu a parede, esticou o teto
Com emoção
deu o pé ao vento, com a mão na mão
e a certeza do que sou, cria o que penso
que sinto perto teu calor
do qual me sustento.

quarta-feira, 18 de março de 2009

De dentro pra fora.
















Uns tem muito
não sei se poucos
ou se muitos
mas sem dúvida
muitos também tem pouco

Cria-se do nada
só achamos que tem
e sem pensar muito
chamamos de mundo,
um certo alguém

Talvez em algum lugar
chamem de relativo
e assim destroem hoje
o que no coração, está ativo

Não se quantifica
não se faz força
nem se quer explica
que o que dura, definitivamente
tem que estar no coração,na mente
no carinho da mão,
no sorriso do dente

Desse, não se dá o que se tem
atribui-se aos demais
assim definimos alguém
pode se ter mais, muito mais
ou ser nada, para ninguém

Só então,
quando se vai do nosso redor
existido apenas dentro de nós(apenas)
atado com nó
amarrado pra sempre
até ser pó, cegando os olhos
os olhos da gente

Não deixe ir
o que hoje,
te separa os lábios
fazendo sorrir
mande ficar
pois meus lábios também sorriem
por poder te beijar

Ficar parado?
Aqui, do lado...
Pois todo enredo que se faz
só se mudam as letras
Já tentei me distrair
varri o quintal, arrumei as gavetas,
e sem ter aonde ir
fico parado, bem aqui,
do seu lado

Talvez o erro
seja a permanência
e o acerto, por sua vez,
a ausência. (Tolos acreditam nisso)
Meu erro é ter,
e esquecer que sou
Outro erro é ser
e esquecer de me lembrar
o que esqueço de ver
o que esqueço de me avisar.

Assim é o valor,
damos sem saber que temos
o dos outros lembramos
o de nós esquecemos.
Sofre a espera,
quem de valor é farto
e todo dia é véspera
pra quem tem vazio, o quarto.

E cada dia comum
toda tarde só
só cresce,
cresce esse nó
me prende sem me aprisionar
deixando-me livre, por sempre te amar
pois sentença real
é não poder lhe olhar
é ter meu lado vazio
como hoje está.

E quando estiver exausta
ao se deitar na cama
ou sentar na grama
acredite que ao invés de perder
ou no chão abandonar
para o valor conhecer, depois das mãos desatar
como essas rimas simples
fáceis de se entender
acompanham os olhos
de quem tenta ler
Veja que os mesmos olhos
também acompanham
verso curto,
outro breve, vivendo no Sol
esperando que neve.

O que fazer?
Fico aqui, parado
fingindo não te ter
só pra ser procurado.

terça-feira, 10 de março de 2009

Qualquer casa, meu café.
















Era um rio
tiraram-lhe as margens
agora, o rio é o mundo

Era uma janela
levaram a paisagem
agora,
só é janela
de dentro pra fora

Era, certo dia,
uma pedra
levaram-lhe tudo a volta
agora pedra,
é nome, revolta

Um dia
levantaram as mãos
e nada caiu do céu
"pedra na janela"
agora pedra de fora pra dentro
e janela,
só pensamento

Dia desses
pegaram uma maçã
e roubaram-lhe o ventre
na terra, atiraram suas sementes
da terra, sairam seus parentes
roubaram caju, manga e goiaba
da terra saiu caule, flor e beterraba

Ontem mesmo,
montaram uma porta
e a partir dela,
uma casa.
Só é porta pra saída
pois quem entra pela mesma
adentra a casa, que em volta da porta
foi construída

Hoje,
é dia de volta
volta o dia, volta a tarde
e acima das minhas pernas
mora minha cabeça
que embora ali esqueça,
vaga a esmo
e entra pela janela sem paisagem
da casa que levantaram ontem mesmo

Amanhã,
vão tomar o café
com gosto de saudade
a cada gole quente - uma lembrança sem idade
e assim se entende
que a saudade é um futuro
que mora no passado,
da mão dada, do café tomado.

Com força carreguei
o ontem pesado ao hoje,
quando acordei,
abri a janela, e a porta
escrevi a palavra "casa" na pedra
e a pedra, de casa chamei
lhe dei porta e janela
e uma paisagem plantei.

E amanhã,
vão sentir falta,
vão omitir, vão inventar,
mas saudade não é o tipo de nome
que se pode mudar.