sábado, 30 de abril de 2011

Um lapso de resumo: o simples.
















Escrever não cansa
o que cansa é procurar
muitos temas, muitos temas
nenhum sobre o qual queira falar
até que veio a idéia
dentro de um copo com café
empurrava a fumaça - que não entendeu nada
rumo ao teto ocre de uma cozinha pequena
enquando eu olhava hipnotizado
o ladrilho ao lado da geladeira:
o ladrilho era um
eu, café, fumaça, três
o ladrilho era um
e nele vi a cozinha inteira.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Análise da eternidade - um ensaio sobre a abstração.

Pensando Alto


















Entendo por ser humano, o ser que é construído de forma ritmica e aleatória, originário de movimentações caóticas de diferentes dimensões - dentro e fora do tempo - e que tem como principal característica, conectar o universo com o mundo que construiu, utilizando a mente que, por sua vez, expressa em forma de sentimentos tudo aquilo que foi criado na conexão instantânea do corpo com o universo que o cerca, embarcado na consciência.
Seres humanos vivem em grupos e compartilham informações e sentimentos uns com os outros.No compatilhar de informações e sentimentos, o próprio homem criou - com fundamentos deduzidos por ele mesmo - regras, protocolos que padronizam a existência social, dita como a intensa relação entre cada indivíduo com todos os outros, e com ele próprio. Todavia, a construção de regras é, ao mesmo tempo, a criação de exceções. A gênesis daquilo que é construido pelo homem tem essa característica intrinseca de nunca ser absoluto. O padrão, o original, o objeto real, o foco, vem sempre acompanhado de seu inseparavel e inevitavel segundo valor - o complemento. O complemento é a expressão do universo, tremendo resquício da ação com que a natureza (o correr natural dos fatos) age sobre o que nasce dentro dela. Assim como a água transborda de um recipiente onde algo mais é inserido, a relatividade é a resposta do universo para cada pergunta que formulamos, cada objeto que criamos, cada estudo que idealizamos. O excesso, o transbordado,a outra parte da natureza, fica subentendida entre o nada, perdida no tempo. O ser humano tem como a mais divina obra, resgatar a expressão da natureza em relação às nossas criações, à nossa existência, e encaixa-las com a pequena realidade de nossos mundos, nosso entendimento. Existem pequenos encaixes, onde é possível ter um entendimento abrangente e momentâneo,pequenas epifanias, que podem ser alcançadas no cotidiano.E existe "O encaixe",que é a emancipação total e irreversível da mente, onde ela atinge o tamanho do infinito, e funde-se com o universo, jamais criando o individuo novamente. Nesse estágio de ser humano,o entendimento é de que não somos mais um caminho entre ser e universo, mas sim, somos o proprio universo. O homem deixa de ser conexão, e passa a ser ação. E assim - um dia - dançaremos conforme o vento que sopra entre as estrelas.
Com tudo dito até então, a criação, do modo mais genérico, é uma marcação, um tópico, um limite. A mesma epifania que cria o limite, a regra para padronizar e otimizar as complicações entre as relações humanas, é a epifania que tranca o homem dentro das fronteiras criadas - subliminar e consequentemente - por essas regras. E se o homem não dirige seus olhos para fora, é trancado pelo próprio calabouço. Esse é um exemplo pequeno, mas funcional, de que a maior parte - se não todos - dos problemas na sociedade, é criada pelo próprio ser humano. A evolução do ser humano está no caminho abstrato de transformar a conexão em ação.
Todo caminho a ser percorrido, assim deve ser feito com afinco e perseverança. E para provar mais uma vez a não absolutividade das coisas, a natureza se expressa com seu complemento: para ser o universo - através da mente - é necessário abandonar o corpo, mesmo que por instantes. Para viver o todo, deve-se começar por partes. Quando o homem mergulha inteiro em sua mente, recebe de outros seres que compartilham relações, titulos derivados do não cumprimento dos padrões e regras sociais. Erroneamente, o homem introspectivo, em profundo exercicio de ação, pode ser confundido como egoísta. E que seja egoísta, ao menos nesse ponto.
Hei de ser perdoado, pois qualquer ser que comporte galáxias em sua mente, será absolvido de intenções egoístas. Viajo trilhões de anos-luz daqui, rumo à visão privilegiada do todo. Quando ultrapassar as fronteiras que separam mente e ação - no seu sentido mais intrinseco - é certo que retornarei ao meu corpo, para expressar através de nossas pequenas palavras o quão imenso é o universo, e o quão desconfortável é ter a mente menor que Ele. Quando o universo todo - para além das galáxias e do tempo - couber em minha consciência, a criação de planetas fará meus olhos piscarem; a fornalha das estrelas queimará meu coração e ferverá meu sangue; e todos os sons terão todas as cores; e eu serei a ação; e eu serei a dança; e eu não terei mais perguntas; e o céu será meu chão. Enquanto isso, caminho com a mente de portas abertas, como um solo fértil sujeito a germinar qualquer semente que nele caia. É imensurável o ato de ser, imensurável ser o que sou. Agora encerro dizendo que carrego um pequeno motor entre os pensamentos. Um motor com algumas galáxias que - de fato - vivem em mim. Em mim o universo expressa o que quer dizer sobre ele mesmo. Sou um diálogo metafisico ambulante. E no fim, toda a nossa inteligencia torna-se risível. É tempo de ser humano.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A função.

Meu Boneco















Definitivamente, somos os pósitrons, os neutrinos, os píons e todas as particulas subatômicas que colidem umas com as outras para, no final, originarem em si mesmas. A comparação análoga, mas totalmente coerente, do mundo interno de cada um de nós, terá uma explicação perfeita - quase sempre - gravada na realidade última exterior. Jamais encerra, a energia, seu processo de transformação. Por toda a graça do universo, não somos estáticos. Enquanto particulas tem a probabilidade de serem encontradas em mais de um lugar, nós humanos temos a probabilidade de nos encontrarmos - uns com os outros - na linha do tempo. Em qual segundo, em qual milésimo seguinte terá inicio uma colisão de pensamentos? Não um debate empírico baseado em idealismos, mas vidas que, de fato, se entranham e buscam uma na outra, sua prórpia explicação. Sair de casa para procurar a si mesmo pode até fazer sentido. Quando no tecido espaço-tempo haverá um sentimento semelhante ao do mundo minúsculo das particulas? Porque sem dúvidas há um sentimento nelas. Quando e em que embate de pensamentos serão descartados as regras da sociedade e o egoismo? Talvez não desistir seja a verdadeira escolha, mas não porque é bonito. Sendo pragmático e agnóstico, não desistir simplesmente nos faz preencher todas as tentativas existentes nas probabilidades. É fato que, se tentarmos, iremos conseguir. Então são números? Porque se somos cercados e banhados pelo tempo, só cabemos nele, e só nele é possível realizar feitos. O que há para temer? Nossos propósitos estão bem guardados e protegidos pela fronteira do tempo. Dentro dele, tudo é possível. Guarde seu medo para o inexplicável, pois enquanto usarmos os números para expressar nosso conhecimento, todo resultado existirá. Não sabemos hoje, qual será a consequencia dos dados rolantes. Mas acredite, os dados estão rolando, e nunca param. Um segundo pode ser breve o suficiente, mas é sempre menor que o posterior, que intercepta nosso caminho como uma montanha nos olhos de um anão. Só podemos ver o agora. Então entram os números, projetando os possíveis resultados e consequencias por cima desse imenso segundo instantâneo. São úteis os números. São mágicos e coerentes. Todavia não podem expressar sentimentos. O sentimento é a conexão instantânea do seu interior com seu ponto equivalente no universo exterior. Quando reconhecidos, revelam-se um ao outro, e em um looping reflexivo, nascemos para o infinito - na eterna apresentação entre brahman e atman. Em última análise sou um número, pertencente ao conjunto dos desvairados, representado pela letra L, onde minha existência é dada pela função F(x)= x sendo x um número desvairado: {x Î L|L=∞<=>F(x)=x}.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A idéia.

Epifania


















Inevitaveis vácuos separam
a criação de nossas estradas
caminhos com esquinas refletidas - segue pra direita, meu amigo
e eu sigo por aqui
onde a curva dobra por cima do impossível

Escolha sua pergunta principal
e talha com força
no Deus que te guarda
quanto vale um "por quê?"
e a rima surge, fundamental

Conhecem as anti-estradas?
que nos suspendem no ar
caminhos de Moebius
é todo ele, um meio caminho

Mas é magnífico e inexplicavel
acordar no salto quântico do titulo
que caminha num rastro invisível
onde permeia por todas as partes
alcançando - nunca tarde - a prosa irreversível.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Otenos.

Filhos de Gaia

















Começo logo e de maneira súbita
o expresso expansionável do infinito
que me insere na sequência ininterrupta

Dos fatos que antecedem o grito
ecoando para os ouvintes na escuta
tontos num alvoroço do tipo

Como viajantes sem sintaxe extasiante
na semântica da semente ao fruto
galga as ondas, o mito
dando origem à lenda de cada instante

Que perambula na parábola insípida
senoidal e catatônica, que desconheço
quando todas as incertezas culminam no fim
da-se origem a um novo começo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Alma minha.

Vilarejo Medieval















É quando de canto, vejo a avenida
as passarelas são um murmúrio
produto do abraço que, envolvente
percebo a cena repetida

Quando toda a engenharia converge
em um louco sono alvo
meu queixo repousa
nos ombros de minha querida

Depois os dias passam firmemente
atritando com o tempo inerte
da-se à luz, saudade incoerente

Que vaga na noite da cidadezinha
percebo, grande e eloquente
o tamanho d'alma que nunca foi minha.

domingo, 3 de outubro de 2010

O único.

Pegadas na Areia













Hoje percebi
que andaram esquecendo
antes esquecessem a si mesmas
decantadas e preciptadas, as palavras
no berço do meu dorso

Que venham rápido
com pressa
de repente, venha em engano
seja um equívoco
só não me faltem,
só não me faltem

É trabalhoso dar-se conta
do mover consciente
antes expressava-me com palavras
agora expresso-me
com o viver da gente

Isso, por ser intrínseco
de subta atenção,
palavra e olho
de todo conforto,
palavra e pele
de cada idéia,
palavra e mente

Assim, por ser inevitável
em uma expressão de olhos
que se confortam
as mentes se encontram
expressas nas peles
que se encostam
tem-se para outro ser humano
um amor de palavra.